quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MEMÓRIA

FÉ E LUTA DE UM RELIGIOSO REVOLUCIONÁRIO


Os restos mortais do padre foi acolhido na Igreja Matriz de Paulista



Lembrada muitas vezes nos cartões postais pela bela imagem da igreja de Santa Isabel, a história de Paulista não poderia deixar de ter em seu registro histórico a lembrança de luta de um religioso. Trata-se do Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, que nasceu na cidade de Tracunhaém, interior de Pernambuco, em 28 de fevereiro de 1766. Antes de participar da Revolução Republicana de 1817, conhecida como Revolução dos Padres, o religioso foi um dos colaboradores do botânico, cientista e naturalista Manuel de Arruda Câmara.
Homem culto, João Ribeiro entrou na vida religiosa no convento do Carmo, foi para o seminário de Olinda e estudou no Colégio dos Nobres, em Lisboa. Ele teve contato com a Europa nos fins da Revolução Francesa.
A Revolução de 1817 reuniu senhores de engenho, padres, comerciantes e militares de prestígio na busca de ideais de liberdade. O movimento começou no dia 6 de março e durou 74 dias. Padre João Ribeiro, porta-voz do clero, fazia parte da Junta Governativa instalada no dia 8 de março
O religioso havia escapado da prisão e marchado com outros revolucionários para Paulista, onde enforcou-se após a derrota do movimento revolucionário. Seu corpo foi enterrado no lado externo da capela de Nossa Senhora da Conceição, do Engenho Paulista. Em estado de putrefação, o cadáver foi exumado e a cabeça decapitada, ficando por dois anos exposta na Praça do Pelourinho, no atual Bairro do Recife, no intuito de mostrar ao povo o destino de quem era contra a monarquia.
Depois, a cabeça do padre foi doada ao Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano. Numa urna, o crânio ficou guardado e exposto para visitação pública, como forma de homenagem ao morto.
Após quase dois séculos, o padre que teria sido enterrado fora de uma capela, hoje, os restos mortais está acolhido no interior da Igreja Matriz de Paulista, num túmulo localizado no lado esquerdo de quem entra no templo. Lacrada por uma placa de granito, a sepultura consta uma placa de bronze com a história do religioso, tem como um brasão em bronze com representações das armas e honrarias do Estado, feito pelo escultor Jobson Figueiredo.

A história do padre é retrato do resgate do orgulho pelos que lutam pela liberdade, sobretudo, uma homenagem em memória aos heróis da Revolução Pernambucana.

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